A doença de Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória, comprometimento progressivo das atividades de vida diária e uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais.
A doença comporta 7 fases distintas: 1: Cognição normal; 2: Declínio cognitivo muito leve; 3: Declínio cognitivo leve; 4: Declínio cognitivo moderado; 5: Declínio cognitivo moderadamente grave; 6: Declínio cognitivo grave e; 7: Declínio cognitivo muito grave. Variações genéticas aumentam as chances de a pessoa desenvolver Alzheimer, como é o caso do gene APOE-e4, o mais comum associado à doença. Mas afinal, como a cannabis medicinal pode prevenir e/ou estabilizar a doença de Alzheimer, sendo que comumente escutamos que a cannabis “mata neurônios”? “Mata” mesmo?
O neurocientista Sidarta Ribeiro (UFRN) em seu livro As Flores do Bem – a ciência e a história da libertação da maconha, publicado em 2023 pela editora Fósforo, nos oferece algumas respostas à essa questão. Segundo o autor, parte do problema é a confusão entre as memórias de curto prazo, que usamos para guardar temporariamente uma informação relevante para a navegação no cotidiano (“onde deixei meus óculos”, “a que horas marcamos a reunião”) e as memorias de longo prazo, que nos dão o repertório de vivências integradas e entrecruzadas que chamamos de inconsciente, de onde sai todo relato autobiográfico – e também toda imaginação. Para esclarecer, Sidarta sugere para imaginarmos que, as nossas memórias são guardadas numa mochila que vai crescendo ao longo da vida, acomodando novas experiências a cada dia. Durante a vigília, as novas memórias vão se acumulando perto da abertura da mochila, ainda pouco integradas às memórias antigas, localizadas em regiões mais profundas da bolsa. Horas depois, durante o sono, as memórias recentes são integradas às memórias antigas, sendo movidas e reorganizadas para otimizar o uso do espaço.
Segundo Sidarta, é sabido que o THC isoladamente causa um déficit transitório na memória operacional. O CBD, por outro lado, protege essa memória e pode mitigar o prejuízo causado pelo THC. O que a maioria das pessoas não sabe, entretanto, é que as flores ricas em THC têm efeito positivo na memória de longo prazo. Ao longo de toda a vida, durante o sono, nosso cérebro produz e seleciona novas conexões sinápticas. Entretanto, com o tempo, essa capacidade, chamada sinaptogênese, vai diminuindo. Algo semelhante acontece com a formação de novos neurônios no hipocampo, uma região cerebral essencial para a aquisição de novas memórias, mas essa capacidade, chamada neurogênese, diminui bastante após a adolescência. O THC e outros canabinoides têm a capacidade de promover a formação de novos neurônios e novas sinapses, isto é, conexões entre neurônios. Ou seja, quanto mais madura for a pessoa (adultos/idosos), maiores serão os benefícios e menores serão os riscos. Ou sejam cannabis não mata neurônios, produz.
“É sabido que o THC isoladamente causa um déficit transitório na memória operacional. O CBD, por outro lado, protege essa memória e pode mitigar o prejuízo causado pelo THC. O que a maioria das pessoas não sabe, entretanto, é que as flores ricas em THC têm efeito positivo na memória de longo prazo.”
Sidarta Ribeiro
O livro As Flores do Bem – a ciência e a história da libertação da maconha, tem sido estudado pelo Grupo de Trabalho Saúde, Cannabis e Artes, organizado pela Associação Mental.Cann. O G.T. iniciado em fevereiro de 2025 é composto por artistas de diversas áreas (dança, literatura, cinema, artes plásticas, música, teatro etc.), os encontros são mensais, e tem como objetivo saber como a obra do neurocientista Sidarta Ribeiro contribuirá com os processos criativos das(os) artistas no decorrer do ano de 2025, para em dezembro do mesmo ano, apresentarmos os resultados das trocas numa Instalação Artística comemorativa. Se interessou pelo conteúdo? Quer conhecer mais a Associação Mental.Cann? Você gostaria de participar do GT? Entre em contato com a Associação pelo telefone (11) 97674-1859 e/ou pelo site www.mentalcann.com.br
Filme – O Pai| 1h 38min | Drama| Direção: Florian Zeller | Roteiro Florian Zeller, Christopher Hampton. Elenco: Anthony Hopkins, Olivia Colman, Mark Gatiss| 2021.
Texto elaborado em março de 2025 por Hemily Biasetto e Odilon Castro.
Como a cannabis pode prevenir e/ou estabilizar a doença de Alzheimer?
A doença de Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória, comprometimento progressivo das atividades de vida diária e uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais.
A doença comporta 7 fases distintas: 1: Cognição normal; 2: Declínio cognitivo muito leve; 3: Declínio cognitivo leve; 4: Declínio cognitivo moderado; 5: Declínio cognitivo moderadamente grave; 6: Declínio cognitivo grave e; 7: Declínio cognitivo muito grave. Variações genéticas aumentam as chances de a pessoa desenvolver Alzheimer, como é o caso do gene APOE-e4, o mais comum associado à doença. Mas afinal, como a cannabis medicinal pode prevenir e/ou estabilizar a doença de Alzheimer, sendo que comumente escutamos que a cannabis “mata neurônios”? “Mata” mesmo?
O neurocientista Sidarta Ribeiro (UFRN) em seu livro As Flores do Bem – a ciência e a história da libertação da maconha, publicado em 2023 pela editora Fósforo, nos oferece algumas respostas à essa questão. Segundo o autor, parte do problema é a confusão entre as memórias de curto prazo, que usamos para guardar temporariamente uma informação relevante para a navegação no cotidiano (“onde deixei meus óculos”, “a que horas marcamos a reunião”) e as memorias de longo prazo, que nos dão o repertório de vivências integradas e entrecruzadas que chamamos de inconsciente, de onde sai todo relato autobiográfico – e também toda imaginação. Para esclarecer, Sidarta sugere para imaginarmos que, as nossas memórias são guardadas numa mochila que vai crescendo ao longo da vida, acomodando novas experiências a cada dia. Durante a vigília, as novas memórias vão se acumulando perto da abertura da mochila, ainda pouco integradas às memórias antigas, localizadas em regiões mais profundas da bolsa. Horas depois, durante o sono, as memórias recentes são integradas às memórias antigas, sendo movidas e reorganizadas para otimizar o uso do espaço.
Segundo Sidarta, é sabido que o THC isoladamente causa um déficit transitório na memória operacional. O CBD, por outro lado, protege essa memória e pode mitigar o prejuízo causado pelo THC. O que a maioria das pessoas não sabe, entretanto, é que as flores ricas em THC têm efeito positivo na memória de longo prazo. Ao longo de toda a vida, durante o sono, nosso cérebro produz e seleciona novas conexões sinápticas. Entretanto, com o tempo, essa capacidade, chamada sinaptogênese, vai diminuindo. Algo semelhante acontece com a formação de novos neurônios no hipocampo, uma região cerebral essencial para a aquisição de novas memórias, mas essa capacidade, chamada neurogênese, diminui bastante após a adolescência. O THC e outros canabinoides têm a capacidade de promover a formação de novos neurônios e novas sinapses, isto é, conexões entre neurônios. Ou seja, quanto mais madura for a pessoa (adultos/idosos), maiores serão os benefícios e menores serão os riscos. Ou sejam cannabis não mata neurônios, produz.
O livro As Flores do Bem – a ciência e a história da libertação da maconha, tem sido estudado pelo Grupo de Trabalho Saúde, Cannabis e Artes, organizado pela Associação Mental.Cann. O G.T. iniciado em fevereiro de 2025 é composto por artistas de diversas áreas (dança, literatura, cinema, artes plásticas, música, teatro etc.), os encontros são mensais, e tem como objetivo saber como a obra do neurocientista Sidarta Ribeiro contribuirá com os processos criativos das(os) artistas no decorrer do ano de 2025, para em dezembro do mesmo ano, apresentarmos os resultados das trocas numa Instalação Artística comemorativa. Se interessou pelo conteúdo? Quer conhecer mais a Associação Mental.Cann? Você gostaria de participar do GT? Entre em contato com a Associação pelo telefone (11) 97674-1859 e/ou pelo site www.mentalcann.com.br
Para saber mais sobre o assunto:
ABATE, G.et al. Potencial e limites dos canabinoides na terapia da doença de Alzheimer. Biology (Basel), v. 10, n. 6, e542, jun 2021. doi: 10.3390/biology10060542. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8234911/pdf/biology-10-00542.pdf
BITTES, P. et al. Uso dos canabinóides no tratamento de pessoas portadoras de Alzheimer. REVISA, v. 2, pág. 887-899, Out-Dez 2021. Doi: https://doi.org/10.36239/revisa.v10.nEsp2.p887a899. Disponível em: http://revistafacesa.senaaires.com.br/index.php/revisa/article/view/838/761
Filme – O Pai| 1h 38min | Drama| Direção: Florian Zeller | Roteiro Florian Zeller, Christopher Hampton. Elenco: Anthony Hopkins, Olivia Colman, Mark Gatiss| 2021.
Texto elaborado em março de 2025 por Hemily Biasetto e Odilon Castro.
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